Atualizado em Setembro de 2026
Travessia de Fronteira
Argentina – Brasil
Guia prático para passageiros e agências na Ponte Internacional Tancredo Neves.
Antes de continuar: como usar esta página
Este é um guia prático de orientação, escrito a partir da nossa experiência cruzando a ponte todos os dias. Não somos autoridade migratória nem aduaneira e as regras podem mudar sem aviso.
Todos os trâmites são pessoais e presenciais, e verificar os requisitos vigentes é responsabilidade do viajante. Em caso de dúvida, os órgãos oficiais que indicamos no final são a fonte da verdade.
A página serve tanto para argentinos e residentes quanto para visitantes estrangeiros: procure o seu caso na primeira seção, porque os requisitos não são os mesmos para todos.
Qual documento levar,
conforme quem você é
Se você é argentino ou residente
São aceitos o DNI cartão físico (último exemplar emitido pelo RENAPER), a "libreta celeste" do último exemplar e o passaporte válido.
Não são aceitos: o DNI escrito à mão (capa verde ou bordô), o comprovante de DNI em processamento e documentos danificados.
O DNI do aplicativo "Mi Argentina" não substitui o documento físico para a travessia internacional.
Regra do Último Exemplar: se você emitiu um novo DNI, o anterior é cancelado automaticamente. Leve o mais recente.
Base: Resolução ReNaPer nº 480/16.
Se você é estrangeiro
Você precisa de passaporte válido. Cidadãos dos países do MERCOSUL e associados normalmente podem entrar com seu documento de identidade nacional, mas vale confirmar com a Polícia Federal antes de viajar.
Precisa de visto? Depende exclusivamente da sua nacionalidade. Brasileiros e argentinos não precisam de visto para turismo entre os dois países. Para entrar no Brasil, consulte a lista oficial:
Ver se você precisa de visto para o Brasil (Itamaraty)
Se precisar de visto, o trâmite é feito no consulado brasileiro antes da viagem: não se resolve na ponte.
Estrangeiros: seguro saúde
Se você entra na Argentina e não é argentino nem residente permanente, o Decreto 366/2025 (em vigor desde 29/05/2025) se aplica a você: ele cria uma declaração jurada de finalidade da viagem e cobertura de saúde — que ainda não está sendo exigida — e já está em vigor que os hospitais públicos só atendem estrangeiros não residentes com seguro saúde ou pagamento antecipado, salvo emergência.
Por isso recomendamos contratar um seguro viagem com cobertura de emergências médicas. Não se aplica a argentinos nem a residentes permanentes.
Ao cruzar a ponte
com a gente
QR migratório (opcional)
É opcional e gratuito: agiliza o atendimento na cabine, mas se você não fizer, usa-se o controle migratório normal.
O Pré-Cadastro Migratório da Polícia Federal é preenchido em mobile.pf.gov.br/sti-mobile.
Dois detalhes que quase ninguém sabe: é necessário um formulário por trecho (ida e volta), e ele só vale para o dia informado ou o dia seguinte. Não gere com antecedência.
Pode ser apresentado na tela do celular, mas recomendamos imprimir. Os dados informados são de responsabilidade exclusiva do viajante.
Viagem com menores de 18 anos
Com ambos os pais: é preciso comprovar o vínculo com a Libreta Civil de Família, certidão de nascimento (de qualquer data) ou o DNI do menor com os dados de filiação dos pais.
Com apenas um dos pais ou com terceiros: é necessária a autorização do pai ou da mãe ausente. Pode ser concedida por tabelião, juiz competente, Registro Civil, juiz de paz ou consulado.
Toda a documentação deve ser apresentada em original ou em cópias legalizadas.
Se for urgente e você não tiver a autorização: a Migraciones tem um serviço que a concede em suas delegacias e nos postos de fronteira. Vale para uma única viagem e deve ser usada em até 30 dias. Em todos os casos o trâmite é pessoal e presencial.
Faixa exclusiva de turismo
Nossos veículos da TaxiGuazú usam a Faixa 4 (Transporte Turístico) da Ponte Tancredo Neves, com prioridade de passagem em relação aos veículos particulares.
Você não dirige e não enfrenta fila: nós paramos nos dois postos, acompanhamos você no trâmite e seguimos viagem.
Alfândega argentina:
o que você pode trazer
Franquias da ARCA (ex-AFIP)
Isto não é um requisito para entrar no Brasil: é o que você pode entrar na Argentina na volta. Via terrestre: USD 300 por pessoa maior de 16 anos e USD 150 para menores de 16 (50%).
Em Puerto Iguazú a franquia do free shop de chegada é de USD 500, uma exceção que não existe em outros postos terrestres.
É mensal e não cumulativa, e o grupo familiar pode usá-la em conjunto. Se exceder, paga-se o tributo único de 50% sobre o excedente.
Fonte: ARCA — Franquias.
Dinheiro em espécie e formulários
Você pode entrar e sair com até USD 10.000 se tiver mais de 16 anos, e até USD 5.000 se for menor. O limite é por pessoa; acima disso, é preciso declarar na alfândega.
Na saída, a bagagem é declarada com o formulário OM-121/A. Na entrada, a declaração de alfândega OM-2087/G4 serve para informar alimentos, animais e bens comprados no exterior.
Leve os formulários apresentados na saída e as notas fiscais das suas compras: são o que permite comprovar o valor declarado.
Voltando ao Brasil
Atenção à direção: as franquias acima são do regime argentino. Se você está voltando ao Brasil, as regras de bagagem e franquia são da Receita Federal, e não da ARCA.
Consulte sempre o Guia do Viajante da Receita Federal antes de comprar:
SENASA: alimentos,
plantas e animais
O que é permitido
Conservas de peixe, suínos e aves; lácteos feitos com leite pasteurizado (leite fluido pasteurizado, condensado e em pó, iogurte, manteiga, doce de leite, queijos); frutas e vegetais processados (batata frita, frutas em calda, vegetais em vinagre, conservas, castanhas torradas ou salgadas, enlatados ou a vácuo); geleias, frutas cristalizadas, sucos, açúcar e óleo.
Também presunto serrano e ibérico e lombo ibérico sem osso procedentes da Espanha, conforme a Resolução 655/2017.
Tudo deve estar rotulado e em quantidades compatíveis com o consumo pessoal.
O que não é permitido
Alimentos: produtos de fabricação caseira, carnes de qualquer espécie, embutidos, presuntos, mel, lácteos e derivados, e alimentos sem rótulo.
Vegetais: frutas e hortaliças frescas, flores e plantas de jardim, plantas frutíferas, ornamentais e florestais, sementes, raízes e gemas.
Outros: animais vivos, ração, produtos apícolas, produtos veterinários, insetos, bactérias, fungos e material reprodutivo.
É o que mais é apreendido na ponte: se você comprou algo fresco, não traga.
Viajar com animais de estimação
É preciso providenciar com antecedência o Certificado Veterinário Internacional (CVI) para cão ou gato. Os principais requisitos:
Certificado de saúde original, emitido por veterinário particular nos 10 dias anteriores ao CVI.
Vacinação antirrábica em dia: para animais primovacinados devem passar 21 dias após a aplicação. Não é exigida para animais com menos de 3 meses.
Vermifugação interna e externa nos 15 dias anteriores ao CVI.
Também são exigidos os certificados de vacinação (cinomose, hepatite, parvovirose, coronavírus, leptospirose, parainfluenza e bordetella), um certificado dos últimos tratamentos dos 3 meses anteriores, endereço no país de destino e cópia do documento de quem transporta o animal.
Você tem 60 dias para retornar com o animal à Argentina, com a vacinação em dia.
Fontes oficiais
Aqui você não vai encontrar uma cópia da norma: vai encontrar o link de quem a aplica. Se algo nesta página divergir do órgão oficial, vale o que diz o órgão oficial.
O trâmite é pessoal e verificar os requisitos vigentes é responsabilidade do viajante.
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